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Em 03 maio, 2017

Recordes Mundiais antes de 2005 podem ser anulados. Quem seriam os novos recordistas?

Nesta semana, uma matéria do jornal inglês The Guardian chocou o Mundo do Atletismo. Segundo a publicação (que não tem caráter sensacionalista, e portanto me parece séria e bem fundamentada), a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) estuda anular todos os recordes mundiais de atletismo que foram batidos antes de 2005. Isso seria uma resposta aos cada vez mais constantes casos de doping e teria o apoio do atual presidente da organização, o britânico Sebastian Coe.

Você deve estar se perguntando: por que 2005? Acontece que foi somente a partir dessa data que a IAAF começou a armazenar as amostras de sangue e urina dos atletas, dando origem ao refinado controle de doping conhecido como “passaporte biológico”. Em resumo, a partir de 2005, teria se tornado muito mais difícil se dopar e não ser pego. O aumento do número de atletas pegos no exame seria, então, justamente um sintoma desse controle mais efetivo, e não simplesmente significaria que “os atletas se dopam mais hoje que no passado”. Na verdade, o que a IAAF estaria passando como mensagem é que nas décadas anteriores (em especial no final dos anos 80 e início dos anos 90) muitos atletas teriam passados impunes – seriam tantos, que todos os recordes mundiais antes de 2005 estariam em dúvida, e portanto, ainda que seus atuais donos não seriam classificados como “dopados”, eles seriam varridos das estatísticas.

Para quem acompanha o Atletismo em alto rendimento, não seria surpresa a constatação de que alguns recordes do passado são de fato inválidos. Especialmente as provas do atletismo feminino possuem marcas aparentemente impossíveis de serem batidas, com fortíssimas evidências de serem resultado de doping (veja as marcas das provas ‘mais nobres’, o 100m, 200m, 400m e 800m, todos recordes que já duram em torno de 30 anos ou mais e que foram feitas por atletas às quais há fortíssimas evidências de estarem dopadas). A nova regra, se colocada em prática, não afetaria grandes nomes como o jamaicano Usain Bolt, mas teria efeitos em outros nomes importantes do esporte, como a britânica Paula Radcliffe, atual recordista da Maratona.

Se realmente colocar em prática essa medida, a IAAF dará seu passo mais incisivo na luta contra o doping. O problema é que talvez seja ir longe demais. Embora o mundo do atletismo ficaria aliviado de ver algumas marcas invalidadas, é impossível não pensar na possibilidade enorme de que ao menos alguns desses atletas tenham competido limpos e sejam recordistas legítimos. Pessoalmente, não creio que o britânico Jonathan Edwards (Salto Triplo), o Queniano Daniel Komen (3000m) ou mesmo o Cubano Javier Sotomayor (Salto em Altura) tenham competido dopados. No feminino a história é diferente, mas há pelo menos um recorde que é profundamente debatido (e que todos queremos acreditar ser legítimo) que é o 2h15m25 na Maratona, feito da britânica Paula Radcliffe em 2003.

A possível medida da IAAF ainda teria outro problema claro, além da suposta punição de inocentes (o que seria uma injustiça tremenda): ela não levaria ao posto de recordistas mundiais atletas incontestáveis e sobre os quais não paira qualquer dúvida. A suposta nova recordista mundial dos 100m feminino seria um bom exemplo.

Caso a medida da IAAF seja confirmada, confira abaixo quais recordes mundiais seriam varridos do mapa, e quem seriam os novos recordistas.

Atletismo Feminino
100m
Florence Griffith Joyner (10s49)
Carmelita Jeter (10s64)

200m
Florence Griffith Joyner (21s34)
Dafne Schipers (21s63)

400m
Marita Koch (47s60)
Sanya Richards Ross (48s70s)

800m
Jarmila Kratochivlova (1m53s28)
Pamela Jelimo (1m54s01)

3000m
Wang Junxia (8m06s11)
Helen Obiri (8m20s68)

Maratona
Paula Radcliffe (2h15m25)
Mary Keitany (2h17m01)

400m com Barreiras
Yuliya Pechonkina (52s34)
Melanie Walker (52s42)

4x400m, Salto em Altura, Salto Triplo, Salto em Distância, Arremesso do Peso, Lançamento de Disco.

Atletismo Masculino

1500m
Hicham El Guerrouj (3m26s00)
Novo Recordista: Asbel Kiprop (3m26s69)

3000m
Daniel Komen (7m20s67)
Kenenisa Bekele (7m25s79)

5000m
Kenenisa Bekele (12m37s35)
Novo Recordista: Kenenisa Bekele (12m40s18)

400m com Barreiras
Kevin Young (46s78)
Novo Recordista: Kerron Clement (47s24)

E também no Salto em Distância, Salto Triplo, Salto em Altura e outras provas de arremessos e lançamentos.

E você, concorda com essa possível medida?

Rafa Maioral costuma dizer que aprendeu a correr antes de aprender a andar. Em 2014, concluiu seu Mestrado analisando a realidade do mercado Running Brasileiro. Corredor amador competitivo, possui 2h41 nas Maratonas, e acredita que pode melhorar. Ele escreve semanalmente a “Coluna do Rafa” com o que de melhor acontece no atletismo mundial.

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